O coração verde da vila
Onde a natureza e a comunidade convivem em harmonia.
(Re)conhecer o Oeste
Uma rúbrica onde descobrimos, ou redescobrimos, o património natural da zona Oeste de Portugal. Uma região encaixada entre o mar e a serra, onde o campo e a cidade se cruzam constantemente. Um lugar de ligações, um espaço-potencial. Foi aqui que nasceu a Nora.
Bombarral
O município toma uma posição central na região Oeste, desenrolando-se numa paisagem fértil marcada por terrenos agrícolas, vinhas e pomares de pera-rocha.
Outrora havia uma coutada particular com ligação às matas adjacentes: Mata da Quinta da Granja, Sobral, Carvalhal e Moita dos Ferreiros. Apesar da proliferação das produções agrícolas e florestais, inicialmente promovidas pelos frades do Mosteiro de Alcobaça, esta área foi poupada para usufruto do proprietário. Em 1940, a coutada foi adquirida em conjunto com a Casa da Coutada, também conhecida como Palácio dos Henriques, pela Câmara Municipal para se tornarem parque municipal e Paços do Concelho respetivamente.
Se, por um lado, o caráter privado deste espaço fez com que a sua gestão e manutenção fossem ditados pela mão humana, por outro, permitiu reduzir as pressões humanas externas e preservar a massa vegetal, ainda que a dimensão tenha reduzido ao longo do tempo. Muitos encaram a mata como um “museu vivo” representativo do bosque mediterrânico e da vegetação natural da região. Denote-se a presença de espécies raras e de exemplares com grandes e invulgares dimensões. O medronheiro, o sobreiro, o carrasco, o loureiro, o carvalho-português, o freixo e o ulmeiro são algumas das espécies autóctones que ali podemos encontrar.
Com 4 hectares e posicionada no centro do tecido urbano, a mata funciona como pulmão da vila e presta inúmeros serviços dos ecossistemas. O valor ecológico intrínseco é enorme e a ele acresce o seu papel sociocultural - a sua história que remete para a origem da localidade ou o seu papel na vida da comunidade. É, por excelência, o espaço de lazer e passeio da população e é também ali que decorrem os maiores eventos municipais.
Uma gestão equilibrada e de baixa intervenção, que permita proteger a Natureza e garantir o usufruto pela população simultaneamente, é um desafio. Contudo, é neste equilíbrio que reside o encanto da mata.
Por fim, não podemos deixar de apelar à importante criação de corredores ecológicos urbanos que integrem a mata e a prolonguem pelos meandros da malha urbana. Ainda que a vila detenha um espaço verde de grandes dimensões, este está isolado, rodeado por terrenos urbanizados. Denota-se a necessidade de criar uma Estrutura Ecológica Urbana que integre a mata, mas que não consista somente nela. Esta necessidade torna-se mais premente à medida que o Bombarral cresce.
Referências bibliográficas: Vilaça, E., 2006. A Mata Municipal do Bombarral como património histórico e natural.
